Há novas regras para o crédito pessoal. Saiba o que muda

Julho 20, 2020 0 Por admin
Banco de Portugal recomenda que os bancos apliquem a partir de hoje alguns critérios na disponibilização de crédito, visando colocar um travão nas maturidades e nas taxas de esforço. Mas há excepções.
Preocupado face à evolução do recurso ao crédito ao consumo por parte das famílias portuguesas, o Banco de Portugal decidiu intervir. Emitiu um conjunto de recomendações que os bancos devem observar ao disponibilizar empréstimos ao consumo, visando em concreto colocar um travão nas maturidades e nas taxas de esforço associadas ao crédito pessoal. Essas recomendações anunciadas no final de janeiro entram em vigor já esta quarta-feira, 1 de abril. Entretanto, já no final de março o regulador decidiu flexibilizar alguns dos critérios definidos nesta recomendação macroprudencial para ajudar famílias durante a pandemia. Saiba o que muda.
 
Com a entrada em vigor desta medida, o Banco de Portugal reforça a sua atuação a nível macroprudencial após o primeiro travão que entrou em implementação a 1 de julho de 2018 e que teve como enfoque sobretudo o crédito à habitação. Em relação a essa medida, o mais recente balanço é positivo, com a instituição liderada por Carlos Costa a contabilizar uma quebra de 35% para 4% na proporção de financiamentos de maior risco com esse fim.
 
Agora o regulador também procura colocar um travão no nível de risco associado ao crédito pessoal, contextualizando a decisão com a perceção da “manutenção da tendência de aumento do prazo médio e do montante médio das novas operações de crédito ao consumo, em particular de crédito pessoal”. Considera que esta situação “pode constituir um risco acrescido para o sistema financeiro por implicar que os mutuários ficarão expostos a flutuações do ciclo económico por períodos mais longos”.
 
Tendo em conta essas circunstâncias, o supervisor aconselha os bancos a limitarem a sete anos o teto máximo para a maturidade dos créditos pessoais — categoria onde se incluem financiamentos para a aquisição de artigos para o lar ou férias, por exemplo — que venham a conceder daqui em diante. Nas restantes finalidades de crédito ao consumo mantém-se o atual limite de dez anos nas maturidades, incluindo o financiamento para a aquisição de carros e os outros créditos pessoais com finalidade educação, saúde e energias renováveis.
A entidade liderada por Carlos Costa aperta ainda a malha no que respeita às taxas de esforço mais elevadas permitidas pelos bancos. Em concreto, ao rácio entre o montante da prestação mensal calculada com todos os empréstimos do mutuário e o seu rendimento:o designado DSTI – debt service‐to‐income.
 
O supervisor recomenda a partir de agora que os bancos passem a aplicar um limite de até 10% do montante total das novas operações de crédito concedido em que os clientes possam apresentar um rácio DSTI entre 50% e 60%.